3º ENNIQ: 25 a 29/11, em Brasília

Credenciamento e Inscrições

O 3º Encontro de Negras, Negros, Indígenas e Quilombolas (ENNIQ), promovido pelo SINASEFE, é um evento de grande relevância na luta pela equidade racial e social no Brasil. As inscrições para o evento estiveram abertas até o dia 10 de novembro e tinham uma taxa de R$ 80,00 que deveria ser paga pelas seções sindicais. Importante destacar que a participação foi restrita a pessoas racializadas, indígenas, quilombolas e ciganas sindicalizadas ao SINASEFE, conforme deliberado no 2º ENNIQ. Essa decisão reforça o comprometimento do evento em dar voz e espaço a essas comunidades, proporcionando um ambiente de diálogo e troca de experiências entre os participantes.

Local e Acomodações do Evento

O 3º ENNIQ aconteceu no campus Brasília do Instituto Federal de Brasília (IFB), que está localizado no SGAN, Quadra 610, Módulos D, E, F e G, Asa Norte, em Brasília-DF. O local foi escolhido por sua acessibilidade e infraestrutura adequada para a realização de debates e oficinas, além de estar em uma região central que facilita o acesso de participantes de diversas localidades.

Em relação às acomodações, o evento não contou com hospedagem oficial. Cada seção sindical foi responsável por suas próprias reservas em hotéis de sua escolha, o que permitiu maior flexibilidade para os participantes. Isso é um aspecto importante, pois dá liberdade aos participantes escolherem opções que se encaixem em suas preferências e orçamentos.

3º ENNIQ

Programação do 3º ENNIQ

A programação do 3º ENNIQ foi extremamente rica e diversificada, abrangendo diversos temas relevantes para as lutas sociais e indígenas. O evento ocorreu ao longo de cinco dias, de 25 a 29 de novembro de 2025, e incluiu atividades que vão desde marchas, audiências públicas, mesas de discussão, até grupos de trabalho e atividades culturais.

No primeiro dia, as atividades começaram com a Marcha Mundial de Mulheres Negras, enfatizando a resistência e a luta dessas mulheres por direitos e igualdade. A agenda também incluiu uma audiência pública na Câmara dos Deputados, que tratou dos impactos da Reforma Administrativa no serviço público, um tema crucial no contexto atual de mobilizações de servidores.

O segundo dia foi focado em oficinas, mesas de saudação e uma mesa de abertura que discutiu a reparação e o bem viver, abordando temas sobre ancestralidade e luta contra o capitalismo. O reconhecimento da ancestralidade é um ponto central nas discussões contemporâneas sobre justiça social e reparação histórica.

O terceiro dia trouxe mesas de discussão voltadas para povos tradicionais e suas lutas contra as mudanças climáticas, refletindo sobre a importância da titulação das terras quilombolas e a territorialidade cigana, indicando um compromisso com as questões ambientais interligadas às lutas sociais.

Já no quarto dia, a programação incluiu a plenária final e grupos de trabalho focados em diálogos entre os movimentos negro, indígena e quilombola, além de questões de gênero e raça. Essas discussões são fundamentais para a construção de estratégias de inclusão e enfrentamento às desigualdades.

Por fim, o quinto dia foi marcado por uma atividade cultural, uma visita ao Quilombo Mesquita, que teve como objetivo valorizar a cultura quilombola e os saberes ancestrais. A visita foi uma forma de fortalecer laços com a história e as tradições de resistência dessas comunidades.

Grupos de Trabalho

Os Grupos de Trabalho (GTs) do 3º ENNIQ foram um dos pontos altos do evento, permitindo que os participantes se aprofundassem em temas específicos e compartilhassem experiências e conhecimentos. O GT 1, intitulado “Polinizando o Bem Viver”, focou no diálogo entre os movimentos negro, indígena, quilombola e cigano, buscando estratégias de resistência frente às lógicas hegemônicas existentes que perpetuam desigualdades e violências.

O GT 2 apresentou a interseccionalidade como uma categoria central para entender as desigualdades sociais contemporâneas. Esse grupo foi essencial para discutir a articulação entre gênero, raça, classe, etnia e deficiência, avaliando como esses fatores se entrelaçam e moldam as experiências vividas por diferentes grupos sociais.

O GT 3 concentrou-se na análise do racismo institucional e suas implicações nas políticas e práticas educacionais. A educação antirracista foi colocada como um compromisso ético-político crucial para garantir direitos e promover a equidade racial nas instituições de ensino.



Debates sobre Mudanças Climáticas

As discussões sobre mudanças climáticas foram um pano de fundo essencial nas mesas do 3º ENNIQ, com foco em como essas mudanças afetam desproporcionalmente comunidades já vulneráveis, como as indígenas e quilombolas. O GT sobre povos tradicionais ressaltou a importância de suas vozes nas discussões ambientais, promovendo um entendimento de que as lutas por justiça climática estão interligadas às lutas sociais por direitos e dignidade.

A diminuição de áreas históricas e territórios de povos tradicionais devido às atividades extrativistas e ao avanço urbano é uma realidade que precisa ser urgentemente discutida e combatida. Durante o evento, foi possível ouvir lideranças e especialistas que trouxeram dados e relatos sobre como as mudanças climáticas impactam suas comunidades, ressaltando a necessidade de uma resposta rápida e eficaz por parte das políticas públicas.

Atividades Culturais

Além das mesas de discussão e dos grupos de trabalho, o 3º ENNIQ também se dedicou a atividades culturais como forma de celebração e resistência. A visita ao Quilombo Mesquita, em particular, foi uma experiência enriquecedora, proporcionando aos participantes um contato direto com a rica cultura e história quilombola.

Nessa visita, foram realizadas apresentações culturais, oficinas práticas e um espaço para troca de saberes sobre agricultura familiar e técnicas tradicionais de cultivo. Essas atividades não só celebraram a cultura, mas também educaram os participantes sobre a importância da preservação de modos de vida tradicionais e sustentáveis, fundamentais em tempos de crise ambiental.

Importância do ENNIQ

O ENNIQ é um espaço fundamental para a reflexão e o fortalecimento das lutas de comunidades historicamente marginalizadas no Brasil. É um evento que não apenas promove o debate sobre reparação e equity, mas também atua como um catalisador para a união de forças entre diversas etnias e movimentos sociais.

Este encontro propicia a construção de uma rede de apoio e solidariedade entre as comunidades negras, indígenas, quilombolas e ciganas, que enfrentam desafios semelhantes. O reconhecimento mútuo e a colaboração são essenciais para fortalecer as vozes de todos esses grupos e avançar em suas reivindicações por justiça e direitos.

O que Esperar do 3º ENNIQ

Participantes e interessados no 3º ENNIQ podem esperar um ambiente de diálogo, troca de experiências e capacitação. Com uma programação diversificada e voltada para a inclusão social, o evento se destaca por seu compromisso em trazer à tona as vozes de quem historicamente foi silenciado. Além disso, terão a oportunidade de participar de oficinas práticas que fomentam o aprendizado sobre ações afirmativas e como implementar essas práticas em suas comunidades.

O 3º ENNIQ também promete ser um espaço para a formulação de propostas e a construção de políticas públicas que atendam às necessidades específicas dessas populações, refletindo a diversidade e complexidade das experiências de vida de seus participantes.

Atrações e Convidados Especiais

O evento contará com a presença de líderes e especialistas renomados nas áreas de direitos humanos, educação e políticas públicas. O intuito é enriquecer as mesas de debate e grupos de trabalho com experiências práticas e conhecimento técnico. Dentre os convidados, destacam-se representantes do Ministério da Igualdade Racial, educadores e líderes comunitários que têm contribuído significativamente para a luta pelos direitos das populações negras, indígenas e quilombolas.

Essas presenças são emblemáticas e refletem o reconhecimento por parte das políticas públicas sobre a importância de incluir as vozes dessas comunidades na formulação de ações efetivas que busquem a reparação histórica e a equidade social.

Como Participar e Contribuir

Para aqueles que desejam participar do 3º ENNIQ, a inscrição prévia é fundamental. Contudo, o engajamento não se limita apenas à participação; todos são convocados a contribuir ativamente com suas experiências e saberes. O evento incentiva a apresentação de propostas e reflexões que possam ser agregadas ao discurso e às ações que busquem um Brasil mais justo e igualitário.

Além disso, é possível apoiar as iniciativas do ENNIQ de várias formas, seja acompanhando as atividades nas redes sociais, divulgando informações relevantes sobre o encontro e suas discussões, ou ainda participando de ações locais que dialoguem com as questões tratadas no evento. O fortalecimento de uma rede entre as comunidades e a sociedade civil é essencial para avançar nas pautas sociais e políticas que afetam essas populações.



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