Professores do DF paralisam atividades e protestam contra governo de Celina Leão

Professores da rede pública do Distrito Federal paralisaram as atividades em 21 de outubro de 2026 e fizeram um ato na Praça do Buriti, em Brasília, contra medidas do governo Celina Leão (PP). Convocada pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), a mobilização reuniu docentes, estudantes, parlamentares e representantes sindicais.

O protesto ocorreu quatro dias antes do segundo turno da eleição para o governo do DF, disputado por Celina Leão e Leandro Grass (PT). O Sinpro-DF apresentou a mobilização como uma defesa da gestão democrática e da autonomia das escolas.

Além dos profissionais da educação, representantes estudantis e parlamentares participaram do ato realizado em frente à sede do governo distrital. As falas abordaram decisões da Secretaria de Educação e as condições de trabalho nas escolas públicas.

paralisação de professores no DF

Entre as questões levantadas por dirigentes sindicais e participantes estavam a liberdade de cátedra, a segurança nas unidades de ensino e a participação da comunidade escolar. A governadora criticou a realização da paralisação em um vídeo publicado nas redes sociais, enquanto o GDF não respondeu às solicitações de posicionamento até a publicação da reportagem.

Paralisação reúne docentes e cobra mudanças na educação

A paralisação de professores no DF teve como pauta reivindicações relacionadas à organização das escolas e à carreira do magistério. O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) cobrou o fim de interferências no planejamento pedagógico, a discussão do calendário escolar de 2027, o andamento do concurso de remanejamento e melhores condições de trabalho.

Márcia Gilda, diretora do Sinpro-DF, defendeu que as escolas preservem o currículo em movimento e seus projetos político-pedagógicos. Ela também criticou a retirada de cartazes sindicais e afirmou que a categoria não abriria mão da gestão democrática.

As reivindicações apresentadas pelos docentes incluíram a valorização da carreira e a participação das comunidades escolares nas decisões pedagógicas. Para Márcia Gilda, as medidas contestadas foram implantadas sem respeitar a autonomia das unidades de ensino.

Sindicato critica interferências e falta de diálogo nas escolas

O Sinpro-DF criticou a orientação para retirar das escolas públicas cartazes sindicais relacionados ao caso BRB-Master. O sindicato classificou a medida como censura e contestou a adoção de um cronograma de atividades pedagógicas sem consulta às comunidades escolares.

Thaísa Magalhães, secretária da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), afirmou que, após a chegada do secretário de Educação, Thiago Peixoto, foram extintos núcleos ligados a direitos humanos, meio ambiente e linguagens. Segundo ela, a mobilização dos profissionais contribuiu para que esses núcleos fossem retomados.



Magalhães também apontou atrasos no remanejamento de professores e nas conversas sobre o calendário escolar. Ela disse que a imposição de datas e materiais pedagógicos desconsiderava a organização escolar prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e na Lei da Gestão Democrática.

Em vídeo nas redes sociais, Celina Leão acusou o sindicato de tratar a categoria de forma ideológica e partidária e classificou a paralisação como uma ação com fins político-eleitoreiros. A governadora afirmou que seu gabinete estava aberto para receber os profissionais, mas diferenciou a política eleitoral da política educacional.

Professores relatam falta de apoio e problemas estruturais

Andreia Lopes, professora de atividades e pedagoga da equipe de atendimento educacional, contou que estava afastada após ser agredida por um estudante durante um atendimento em sala de aula, no Gama. Ela relatou ter recebido atendimento médico, feito uma tomografia e iniciado tratamento, além de afirmar que ficou abalada psicologicamente.

Lopes cobrou segurança e uma rede de apoio para profissionais e estudantes. Segundo a professora, a criança estava sem laudo e sem medicação, e ela questionou a falta de suporte das instituições de saúde e do Estado diante das demandas atendidas nas escolas.

Samuel Fernandes, diretor do Sinpro-DF, relacionou o adoecimento de professores ao que classificou como autoritarismo e à falta de diálogo. Ele defendeu melhores condições de trabalho para os docentes e de ensino para os alunos.

Vilmara do Carmo, professora de História do Centro Educacional 1 da Estrutural, criticou o modelo de escolas militarizadas. Ela também relacionou a crise do Banco de Brasília (BRB) envolvendo o Banco Master à falta de investimentos e afirmou que os recursos poderiam viabilizar mais de 400 creches e 720 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs); a Polícia Federal identificou indícios de fraude em operações que envolveram bilhões de reais em créditos adquiridos pelo banco público.

Estudantes e parlamentares participam do ato

Álex Maciel, presidenta da União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF), afirmou que decisões governamentais sobre educação afetam diretamente os estudantes. Ela defendeu a presença dos alunos nos debates e a construção de propostas que correspondam à realidade vivida nas escolas.

A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) defendeu a liberdade de cátedra e disse que a educação exige liberdade e consciência crítica. Reginaldo Veras (PV), deputado distrital, pediu união dos professores diante do que chamou de autoritarismo do governo e do secretário de Educação.

O deputado distrital Gabriel Magno (PT) defendeu negociações com os profissionais e afirmou que a eleição também envolve salários e decisões tomadas nas escolas. Fábio Felix (Psol), eleito deputado federal, cobrou valorização das carreiras da educação e disse que a mobilização deveria continuar.

Leandro Grass (PT), candidato ao governo do Distrito Federal e professor, afirmou que os docentes enfrentam falta de estrutura e apoio. Ele criticou a resposta do governo aos profissionais que se mobilizam e defendeu que a categoria seja ouvida.



Deixe um comentário